sábado, 22 de novembro de 2008

O vício


Lúcia o observava de longe, sabia que era ele. Conhecia todas as suas tatuagens, assim como cada milímetro de seu corpo. Aquelas noites e aqueles olhares tão intensos, sabia que nada fora em vão, mas custava a acreditar que aquele homem sentado com muitas mulheres em volta, era o mesmo que um dia ela chegou a beijar os lábios. Tanto era o mesmo homem como tinha a mesma cicatriz no peito.
Com a camisa aberta, ela via a prova que não deixava as ilusões tomarem sua mente.
Ele sorria para as mulheres em volta, enquanto elas o beijavam em várias partes do corpo. Ele estava tão excitado que não pode notar a presença de Lúcia.
Até que os olhos se encontraram, aquele encontro de olhares pareceu durar muito mais do que apenas três segundos. A expressão assustada de Lúcia, fez com que ele se envergonhasse e paralisasse tudo o que estava fazendo, só para olhar mais profundo nos olhos dela.
Naqueles segundos, ele decidiu o que fazer e escolheu para si um final feliz. Se levantou, caminhou até ela, que neste momento cobria o rosto com as mãos.
Com aquele toque delicado, conhecido pelos dois nos momentos de intimidade, ela se deixou levar por ele, caindo em seus braços.
- Por que...? - tenta ele.
- Não sei... - disse ela, como uma resposta.
- Por que você foi embora? - disse Eduardo já tomado pela indignação, "como poderia estar ela naquele lugar? ou o que pretendia fazer ali??"
- Por que você pediu...- Lúcia estava tremendo, do mesmo modo como tremia quando ele soprava de leve em sua nuca.- Eduardo, eu só queria um tempo para mim. - Tenta esclarecer.
- Final feliz para nós dois? (ele realmente sabia como lidar com ela...)
Essa escolha, embora ela soubesse que era um erro, não podia desperdiçar aquele beijo e aquele toque, ela havia desejado isso desde que partira.
Eduardo a amava, mas não sabia o significado da palavra "respeito". Para ela, eram sinônimos. "Como pode um homem que não respeita nem a si mesmo, ser tão delicado em suas carícias?" Era o que Lúcia se perguntava todas as noites, quando ele saía a procura de algum copo de bebida ou uma mesa de jogos.

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"Sou somente uma alma em tentação, Em rota de colisão. Deslocada, estranha e aqui presente." Lenine (fere e rente)